terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

UTOPIAS: PROJETOS PESSOAIS, PROJETOS DE PAÍS

Neste semestre o trabalho com a disciplina História no 4o. termo vai tratar das lutas por conquista de direitos e de algumas propostas e experiências formuladas e vividas, desde o final do século XIX, como alternativas à sociedade capitalista. Começamos lendo um texto de ficção do saudoso Moacyr Scliar, "A mensagem chega ao destino". O personagem da história, quando ainda era adolescente, havia enviado uma carta sem destinatário certo e lançado ao mar, numa garrafa. Já adulto recebe um pacote pelo correio de uma mulher que encontrou sua carta e a devolve. Lembra então que tratava-se de "uma carta escrita para o futuro, uma espécie de declaração de intenções, um plano de vida". O mais triste foi perceber o fracasso em tudo o que intencionara. Mas o mesmo pacote que trouxe a prova de seu malogro, trouxe também um sinal de salvação... O texto de Scliar foi o mote para que os alunos inciassem uma carta nos mesmos termos daquela do texto ("Não sei se você é uma criança, uma mulher ou um homem") contando seus projetos pessoais para o futuro e seus planos para o nosso país. Lemos os textos na aula e a turma escolheu as produções de Silvana e Tatiane para postarmos no blog da nossa escola. Mandaram bem garotas, parabéns!! Agora é com vocês...
Os gêmeos

Não sei se você é uma criança, uma mulher ou um homem. Escrevo esta carta agora para dizer o que eu quero para o meu futuro. Profissionalmentequero terminar os meus estudos, fazer muitos cursos, principalmente na área de informática. Quero ser uma grande técnica em informática, com um emprego muito melhor, bem sucedida. Quero dar um futuro melhor para os meus filhos, quer ter a minha casa própria, meu carro, uma casa na praia para passear com os meus filhos. Poder levar eles para a Disney para realizar um grande sonho da minha vida. Uma pessoa que me ame e ame meus filhos, que me ajude a ser a pessoa mais amada do mundo. Eu sinceramente quero que o Brasil seja muito diferente do que é hoje. Que os corruptos sejam extintos da face da terra, que ninguém mais passe fome ou sede. Que todos tenham uma casa para morar e que todos saibam ler e escrever, sejam felizes e ajudem o planeta. Que a Terra não esteja mais no sufoco, que ninguém esteja desmatando as florestas, poluindo os rios. E que já tenha acabado o preconceito contra gays, lésbicas, negros e pobres.
(Tatiane Rodrigues Seixa)

ESSA É A MINHA CONQUISTA
Não sei se você é uma criança, uma mulher ou um homem. O meu nome é Silvana Borges de Almeida. Agora vou escrever o que eu quero pro meu futuro. Quero terminar os meus estudos e fazer uma faculdade de gastronomia. Montar o meu próprio restaurante.
Aí eu quero pagar uma escola particular para minha filha, comprar uma casa, um carro do ano, ajudar minha família, não só a minha família, mas também a família do meu marido, poder ajudar as pessoas que precisam. Eu quero montar uma casa de dependentes químicos para poder ajudar as pessoas que usam drogas, porque estas pessoas são muito rejeitadas, desprezadas, caluniadas. As pessoas mal sabem que ser dependente químico não é safadeza, ninguém é dependente químico porque quer. Na verdade muitas pessoas sabem julgar, criticar, mas não sabem o que a família passa, o quanto a família sofre, mas ninguém te dá uma palavra de
conforto. Só quem pode te confortar é Deus porque ele não te julga, mas te dá uma palavra de conforto e está com você nas horas mais difíceis. Eu acho que pra ter um Brasil melhor precisa melhorar a saúde, ajudar os moradores de rua, mais clínicas de dependentes químicos, construir mais creches, respeitar e ajudar os idosos. É esse o sonho que eu tenho para o meu país.
(Silvana Borges de Almeida)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

HISTÓRIAS DE ASSOMBRAÇÃO 3

Antes da tempestade - Gravura de Joanna Latka

Sexta-feira, meia noite, trovões, lua cheia, cemitério... está posto o cenário que há tempos nos convida a ver, ouvir e sentir coisas pra além da imaginação... Os vivos e os não mais, neste palco, convivem, ainda que num relance, religando estes nossos tempos tão descosturados... Magia dos tempos das narrativas de assombração tal como as histórias de Leonardo e Larissa do 8o. ano C que fecham nossa seleção de histórias dos 8os. anos. É com vocês...

Numa noite de lua cheia e muitos trovões, uma garota estava sozinha em sua casa. Como
estava chovendo muito e não tinha como sair a menina resolveu ligar a televisão
para distrair. Quando ela ligou a tomada levou um choque imenso e acabou
morrendo. Quando sua mãe chegou em casa encontrou a menina deitada no tapete
perto da TV, morta. Ela começou a chorar e a gritar muito. Pegou o telefone
para avisar seu marido e quando olhou para o corredor viu a menina sentada no
chão. Até hoje, quando chove e quando aparecem trovões no céu, a menina aparece
sentada no corredor. (Larissa)

Era uma moça muito bonita, vestida inteira de preto, parada em um ponto de taxi, à meia
noite, quando o taxista parou e a moça entrou e disse a ele:
- Leve-me ao cemitério.
O homem obedeceu e, pouco depois, eles haviam chegado. Quando o homem virou para cobrar
a corrida ela havia sumido. Ele ficou apavorado, mas mesmo assim entrou no
cemitério para procurá-la. Viu o túmulo mais bonito e nele, a foto da moça que
ele havia trazido. Lá estava escrito:
“AQUI JAZ INGRIDE MUNHOZ SILVA DE PAULA.
MORTA EM UM ACIDENTE DE TAXI, EM 13/06/1930, COM 23 ANOS”.
O taxista saiu correndo apavorado e contou aos amigos dando origem à lenda da “Moça do
taxi”. (Leonardo Maurício)

HISTÓRIAS DE ASSOMBRAÇÃO 2

Como já contei na postagem anterior, estas histórias foram elaboradas no começo deste ano letivo como pontapé inicial de nosso trabalho com a disciplina História. Nos demos conta de como os filmes de terror, as histórias de fantasmas e de assombração e a imaginação sobre as coisas do além nos acompanham em nosso dia a dia. Aí vão os textos do Giovani e da Ana Paula do 8A. Senta que lá vem história...
Ilustração: Fernando Pires

Três homens andavam pelo canavial num dia de lua cheia. Era mais ou menos 11h30 , naquela
noite sombria com um sereno bem gelado. Eles andavam devagar e iam conversando. Os três já tinham ouvido falar em lobisomem, mas não acreditavam. Eles estavam comentando sobre isso quando um deles escutou alguma coisa. Começaram então a andar depressa. Um deles viu um cachorro bem peludo e de pé. Ficaram assustados e começaram a
correr mais depressa ainda. O lobisomem começou a correr atrás deles. Tinha uma
cerca logo na frente, dois deles passaram debaixo e o outro se enroscou na
cerca. O lobisomem pegou-o e os dois que estavam na frente saíram vazado. Dava
para escutar os ossos sendo quebrados e o cheiro de sangue no ar.
Os dois homens pularam num rio que estava cheio de piranhas e morreram. Depois disso
ninguém ouviu falar mais do lobisomem.
(Giovani)

Telefonema dos mortos

Um dia Janaína estava passando os números de telefone dos seus amigos da agenda
velha para uma nova quando viu o número de Patrícia, uma amiga falecida há
alguns meses num acidente de carro quando voltava de uma festa com seu namorado,
Pedro, que desde então estava em coma. O acidente foi causado por um motorista
bêbado em alta velocidade e Patrícia morreu no local. Janaína sentiu um frio na
espinha e uma tristeza repentina. Pensou: “a Pati era a minha melhor amiga por
que o Senhor a levou?”, sentindo um vazio dentro do coração.
Mas Janaína continuou a escrever os números para a outra agenda, tirando o número
do celular de Patrícia. De repente seu telefone começou a tocar do nada. Então Janaína atendeu a ligação e ouviu a voz de sua amiga falecida. Começou a chorar dizendo: “quem é você, o que
quer?!” E Patrícia disse: “Eu quero que você me ajude.”
Janaína desligou imediatamente o telefone.
Passaram-se duas semanas e o celular de Janaína começou a tocar novamente com um toque de uma música que Patrícia gostava muito. Mas só que Janaína estava no banho e o
celular estava tocando em cima de um criado mudo. Janaína resolveu ir ver quem
estava ligando para ela e atendeu. Era Patrícia dizendo: “Me ajude Janaína!
Socorro! Me salve!” Janaína respondeu assustada: “Pare de me ligar passando
trote porque se você não sabe você não é a Patrícia. Patrícia morreu num
acidente de carro.” E então desligou.
Passou um ano e Janaína nunca mais recebeu nenhuma ligação. Ela ficou intrigada com o que tinha acontecido um ano atrás sobre o telefonema anônimo. E assim resolveu
ir até o cemitério fazer uma visita ao túmulo de Patrícia. Então pegou uma vela
e umas flores para ir mais tarde depois da faculdade. Faltavam três minutos para
as sete. Janaína entrou no seu carro e foi até o cemitério. Ao chegar no túmulo
de Patrícia acendeu a vela e pôs as flores dentro de um vaso muito bonito que
havia dado para Patrícia quando ela ainda era viva. Começou então a rezar pela
amiga morta, falando de todos os momentos em que elas passaram juntas. Quando
se levantou não sabia o que a esperava. Ao virar-se lá estava o fantasma de
Patrícia, uma jovem loira, olhos castanhos esverdeados e alta.
Muito espantada ela disse: “Você!” e desmaiou em frente ao túmulo da amiga. Ao
acordar Janaína pensou: “o que estou fazendo aqui?!” e procurou seu celular
para ver que horas eram. Era meia noite e sete e ela ainda estava no cemitério.
Foi quando sentiu um frio na espinha e muito medo. Aí viu novamente Patrícia que
lhe disse: “por que você não atendeu a minha ligação?” Janaína saiu correndo
cheia de medo e gritando e Patrícia foi atrás dela dizendo: “não vá eu tenho tantas
perguntas para lhe fazer!” Mas Janaína nem sabia para onde correr. Saiu do
cemitério correndo em direção à rua, mas saiu tão desesperada que acabou sendo
atropelada por um motorista que estava em alta velocidade. O motorista parou
para prestar socorro, mas já era tarde, Janaína estava morta. O motorista
procurou documentos da moça para tentar telefonar para seus pais. Ligou para o
pai de Janaína que atendeu o telefone perguntando: “quem é?”. O motorista
respondeu muito nervoso: “sua filha está morta!” “Mas como assim está morta!” “Ela
veio correndo de dentro do cemitério e eu não tive como desviar. Ela não
resistiu!” O pai ficou muito nervoso e pediu o local em que eles estavam. “Estamos
na Rua Rodrigues de Moraes em frente ao cemitério”. Assim o pai enterrou a
filha e o motorista foi preso e pegou trinta anos de cadeia mesmo tendo parado
para socorrer e ajudado a moça, mas já era tarde demais.
Por isso pense muito bem como agir se você receber algum sinal de alguém que já morreu!
(Ana Paula)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

HISTÓRIAS DE ASSOMBRAÇÃO


Histórias de assombração ou com fatos assustadores botam um medinho na gente, às vezes nos fazem pulsar no ritmo dos movimentos dos personagens, deixam todo o resto em suspenso... Os 8os. anos começaram as aulas de História deste ano lendo o conto “Recado de fantasma” de Flávia Muniz. Depois de trocarmos impressões sobre o texto, cada um se pôs a escrever a sua história extraordinária inspirada na que ouviram. Podia ser uma história vivida por eles, ouvida, lida, assistida, ou uma mistura de um pouco disso tudo. Em cada turma lemos os textos de todos e escolhemos dois para postar no blog da nossa escola. Seguem abaixo os escolhidos pelos alunos do 8º. B. Como deu empate na votação selecionamos três. Só ficou faltando os autores darem um título para suas histórias. Escuta só:

Um dia uma mulher chamada Carla e seu marido, Ronaldo, compraram uma casa por um preço muito barato e já vinha com móveis. Quando chegaram na casa escutaram os vizinhos falarem:
- Será que sobrevivem estes dois?
- Não!
Passou um tempo. Carla e Ronaldo viviam bem na casa.Alinhar à esquerda Ronaldo trabalhava fora e Carla limpava a casa até que um dia Carla ouve a campainha tocar. Quando olha não há ninguém.
O dia passa e o mesmo se repete todos os dias às 13h00. Carla resolve sair de casa e ver se não eram crianças. A porta se fecha com muita força. Carla tenta abrir e não consegue. Pega então a maior pedra do jardim e joga contra a janela da porta, mas ela não quebra.
Quando o marido chega a porta se abriu. Assustada não fala nada para ele. Num outro dia, escutou passos, mas não viu nada. Contou para o marido, que para não deixá-la assustada, jogou talco na frente da porta e foram dormir. Carla escutou novamente um barulho e quando se aproximou do talco estava escrito “SAIA OU MORRERÁ”. Ela gritou. Ronaldo olhou para o chão mas não tinha nada escrito no talco.
Numa sexta feira Carla está na cozinha fazendo o jantar quando todos os talheres, pratos, panelas voaram contra ela, mas não a machucaram. Na sua frente uma faca flutuava. Ela pegou a faca, matou o marido e, em seguida, se matou.
Passaram-se três anos e um casal mudou-se para a casa e os vizinhos falaram:
- Será que sobrevivem estes dois?
- Não!
(Iago)

Minha tia me contou que quando ela morava no Abacateiro todo dia de lua cheia ela escutava barulho das galinhas alvoroçadas e os cachorros latindo. Ela pensava que era bicho, como cobra, aí ela não ligou e dormiu. De manhã ela acordou e foi ao galinheiro e viu que estavam faltando galinhas. Então esperou anoitecer. De novo ouviu o mesmo barulho e foi ver. Quando abriu a porta viu um cachorro em pé, com olhos vermelhos. Era lobisomem. Desesperada ela chamou meu tio, falando que tinha lobisomem lá fora. Meu tio pegou uma faca de prata. Quando saiu lá fora ele viu o lobisomem e jogou a faca de prata fazendo um corte nele. Depois disso o lobisomem não apareceu mais. (Leonardo)

Tinha uma menina que amava seu cachorro e sempre que ela estava com medo abaixava sua mão para o cachorro lamber. Certo dia, seus pais saíram e ela ficou sozinha em sua casa. Estava chovendo e ela fechou todas as janelas, menos a do banheiro, porque não conseguiu. Foi se deitar quando começou a ouvir alguns barulhos. Colocou a sua mão debaixo da cama para seu cachorro lamber, começou a ouvir uns pingos no banheiro e resolveu ir até lá para ver o que era. Ela se deparou com seu cachorro morto e pendurado. Junto dele estava escrito de sangue: “Humanos também sabem lamber”! (Ana Paula)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A presente postagem tem como interesse socializar a atividade sobre Educação Patrimonial realizada com os alunos dos 9º Anos de nossa escola realizada no dia 19/09.

É de se chamar a atenção como muitos patrimônios históricos e culturais da nossa cidade estão sendo derrubados e estão se tornando inexistentes. Cada patrimônio derrubado é um pedaço de nossa história que se vai junto com os entulhos. Temos que lutar pelo o que é nosso. Temos de conservar o que é nosso e temos de proteger para que nossos filhos e netos tenham a oportunidade de, assim como nós, conhecer um pouco da história dos nossos antepassados. E para isso, nossos patrimônios têm de ser tombados, para que eles só possam ser restaurados e não reformados ou demolidos. Esses patrimônios são muito importantes pra cidade. Imagine estudar ou trabalhar em um prédio que tenha mais de 100 anos de idade, eu teria orgulho de fazer parte dessa “estrutura”. Achei muito interessante e importante a nossa visita a um patrimônio tombado, a antiga Santa Casa de Misericórdia, onde fica o Instituto de Saúde Integrada, isso pode nos mostrar a importância de sabermos da história de Campinas e como ela era antes de ser moderna. Com os anos que se passam perdemos muitos registros o que dificulta o estudo da história. Seria muito proveitoso visitar outros patrimônios e lugares onde se guarda um pouco da nossa história.
Por Vitória Dezote, 9º Ano A

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Visita ao ISI















Mais algumas fotos...

Visita dos 9º Anos ao prédio do ISI.















Na tarde de 19/09/2011 os alunos dos 9º Anos A e B, visitaram o prédio do ISI - Instituto de Saúde Integrada (antigo prédio da Santa Casa próximo à Bibliteca Pública Minicipal de Campinas). A visita, que contou com monitoria, faz parte do Projeto de Educação Patrimonial promovido pelo Instituto e enfatizou aspectos relacionados à restauração do prédio, bem como à própria historicidade do município. Os professores Marcos e Gisele acompanharam os alunos na atividade.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

sábado, 23 de julho de 2011

A educação é o nosso maior desafio

A educação é o nosso maior desafio
Ruth de Aquino (Época - 24/12/2009)


Na próxima década, quem sabe o Brasil poderá finalmente descobrir qual deve ser o maior investimento do Estado. Como reduzir a violência e melhorar a segurança? Educação. Como diminuir a pobreza, a fome e a desigualdade? Educação. Como melhorar a saúde? Educação. Como aumentar a taxa de emprego? Educação. Começa quando a criança nasce. Não dá para esperar até 4 ou 6 anos. A carência emocional e intelectual na primeira infância é meio caminho perdido.
“Para cada dólar aplicado, a sociedade ganhou nove”, afirmou o americano James Heckman, de 65 anos, prêmio Nobel de Economia de 2000. O professor Heckman se referia a uma experiência bem-sucedida em Michigan com educação na primeira infância. Em entrevista a O Globo na semana passada, Heckman disse algo que está na nossa cara, está sob as marquises dos centros urbanos ou nas lavouras: sem atenção de 0 a 3 anos, sem estímulo intelectual, com pais analfabetos, pouco instruídos e ausentes, sem a adequada assistência médica, essas crianças entrarão na escola em profunda desvantagem. Uma desvantagem que não é reversível, salvo exceções. “Uma boa política de família acaba se tornando uma boa política econômica. Há governos que acham que dar mais dinheiro aos pobres resolve o problema.”
Nenhuma esmola nacional, por mais ambiciosa e popular que seja, poderá ajudar o Brasil a ter um índice de desenvolvimento humano (IDH) compatível com a imagem de potência emergente. Jamais haverá dinheiro bastante para dar autoestima a brasileiros na linha da pobreza – ou abaixo. Hoje, nenhum candidato ousa criticar o Bolsa Família. Com todas as boas intenções, o Bolsa Família continua sendo um programa assistencialista, sujeito a fraudes de toda sorte. Esses recursos seriam mais bem aplicados se houvesse uma obsessão: Educação, Educação, Educação.
Só mesmo a Educação ampla, irrestrita e de qualidade, a partir do nascimento de cada brasileiro, poderá mudar a cara deste país. Com uma rede gratuita de creches (não depósitos de crianças) para filhos de pais carentes e mães solteiras. E escolas públicas de qualidade. Isso significa mudar de verdade, e não remendar, maquiar estatísticas, impressionar com números de matrículas ou com porcentagens que iludem mais do que explicam. 

Na próxima década, o país precisa tornar a educação uma obsessão nacional para se destacar no mundo 
“O cérebro se forma muito cedo”, diz o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Aloísio Araújo. “A criança que vem de um lar em que os pais são educados, leem em voz alta, dão estímulos lógicos e usam vocabulário amplo está muito mais preparada quando chega à escola. Com 1 ano de idade, as diferenças são muito pequenas. Aos 4, muito grandes. Fica muito difícil o sistema escolar recuperar essa defasagem. As intervenções precoces são um desafio para o Brasil.”
Aloísio é um dos autores de Educação básica no Brasil – Construindo o país do futuro, livro editado neste ano pela Campus. Na página 103, há um gráfico assustador: 93% da diferença de desenvolvimento cognitivo medida em adolescentes de 13 anos de idade já está presente aos 5 anos, antes mesmo que as crianças comecem a frequentar a escola.
Há exemplos de programas dedicados a formar “capital humano” na primeira infância. Com atenção redobrada para famílias carentes. São experiências restritas geograficamente. Os três programas mais conhecidos aconteceram nos Estados Unidos – Michigan, Carolina do Norte, Chicago. Em comum, o envolvimento ativo dos pais, porque, sem a família, todos ficam órfãos, inclusive o Estado.
Ninguém precisa ser prêmio Nobel para saber os efeitos de uma educação que vem do berço. Um deles é formar jovens menos violentos, menos antissociais. Não se fala aqui apenas de pobreza. Pais ricos que abandonam seus filhos nas mãos de babás sem instrução – achando que, depois, a escola fará seu “papel” – um dia podem se arrepender muito de só ter acompanhado o crescimento de seu bebê por imagens instantâneas em celular.
Na última década, o Brasil avançou. Na próxima, precisa tornar a Educação, precoce e fundamental, uma obsessão nacional.

Dura Realidade

Quando a escola é o espaço do inferno
RUTH DE AQUINO (Época - 16/07/2011)

Quase 1.000 alunos são punidos, suspensos ou expulsos por dia nas escolas. Quase 1.000 por dia, alguns com 5 anos de idade! Por abusos verbais e físicos. No ano passado, 44 professores foram internados em hospitais com graves ferimentos. Diante do quadro-negro, o governo decidiu que professores poderão “usar força” para se defender e apartar brigas. E poderão revistar estudantes em busca de pornografia, celulares, câmeras de vídeo, álcool, drogas, material furtado ou armas.
Achou que era no Brasil? É na Grã-Bretanha.
Os dados são de um relatório governamental. “O sistema escolar entrou em colapso”, diz Katharine Birbalsingh, demitida do Departamento de Educação depois de criticar a violência nas escolas públicas inglesas. “Os professores acabam sendo culpados pela indisciplina. A diretoria da escola estimula essa teoria, os alunos a usam como desculpa e até os professores começam a acreditar nisso. Eles não pedem ajuda com medo de parecer incompetentes.”
Os alunos jogam a cadeira no mestre, chutam a perna do mestre, empurram, xingam. Ou furam o mestre com o lápis, fazem comentários obscenos, estupram, ameaçam com facas. Alguns são casos extremos pinçados pela imprensa. Os números na Grã-Bretanha preocupam. Mostram que as escolas precisam restaurar a autoridade perdida. Muitos professores abandonaram a profissão por se sentir impotentes. Educadores mais rigorosos pregam tolerância zero com alunos bagunceiros e que não fazem seu dever de casa.
As reflexões de lá são iguais às de cá. A violência nas escolas seria uma continuação do lado de fora, na rua e nos lares. A hierarquia cai em desuso. Valores e limites, que quer dizer isso mesmo? Crianças e adolescentes não respeitam ninguém. Nem os pais, nem as autoridades, nem os vizinhos, os porteiros, os pedestres, os colegas, as namoradas. Há uma falta de cerimônia, pudor e educação no sentido mais amplo.
E aí a culpa é jogada nos pais. Por não mostrarem o certo e o errado. Não abrirem um tempo de qualidade com os filhos. Esquecê-los em frente a um computador ou televisão. O de sempre. O aluno que peita o professor também xinga os pais. Aric Sigman, da Royal Society of Medicine, em Londres, autor do livro The spoilt generation (A geração mimada) , afirma que, hoje, até criancinhas nas creches jogam objetos e cadeiras umas nas outras. “Há uma inversão da autoridade. Seus impulsos não são controlados em casa. É uma geração mimada que ataca especialmente as mães”, diz ele.

Muitos professores abandonam o ensino por se sentir impotentes diante da violência dos alunos
E o que o governo britânico faz? Manda o professor revidar. Até agora, ele era proibido de tocar no aluno, mesmo ao ensinar um instrumento numa aula de música. A nova cartilha promete superpoderes aos professores. Mestres, usem “força razoável”, vocês agora têm a última palavra para expulsar um aluno agressivo, revistem mochilas suspeitas. Dará certo? Não acredito. Sem diálogo e consenso entre famílias, escolas, educadores e psicólogos, esse pesadelo não tem fim.
No Brasil, a socióloga Miriam Abramovay, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), admite que os professores passaram a ter medo. Numa pesquisa para a Unesco em Brasília, em 2002, um depoimento a chocou: “Um professor me disse que ia armado para a escola. Como se fosse uma selva. Isso mostra total descrença no sistema”. Ela acha que o Brasil está investindo dinheiro demais em bullying, mas esquece todo o resto: “Nossa escola é de dois séculos atrás”. Os ataques aos professores não se limitam à sala de aula. Carros dos mestres são arranhados, pneus são furados. Eles não têm apoio nem ideia de como reagir. Muitos trocam de escola ou abandonam a profissão.
Quando Cristovam Buarque era ministro de Lula, tinha, com Miriam, um projeto nacional de “mediação escolar” para prevenir conflitos, melhorar o ambiente e estimular o aprendizado. “Paulo Freire dizia que a escola era o espaço da alegria, do prazer, mas assim ela se torna o espaço do inferno”, diz Miriam. O projeto não vingou. Cristovam abandonou o barco por sentir que Educação não era prioridade nos investimentos. E continua não sendo. Deveria ser nossa obsessão.